As negociações entre os 27 líderes da União Europeia quanto ao pacote de 1,8 trilhão de euros para recuperar a economia em meio à pandemia do novo coronavírus seguiram travadas no fim da noite de domingo, 19, resultando em tensão, acusações mútuas e receios de uma ruptura das conversas. Após três dias de debate, os líderes europeus permaneceram divididos quanto ao volume do pacote final e sobre quanto deve ser concedido sem reposição, e sob quais condições. Semanas após os líderes europeus terem dito que havia um consenso em torno das bases do programa, a falta de acordo pode resultar em reação negativa dos mercados financeiros na próxima segunda-feira, 20. O primeiro encontro presencial entre os líderes europeus em cinco meses foi iniciado na última sexta-feira e deveria se estender ao sábado, mas prosseguiu ao domingo, com um jantar final no início desta noite.

Até a noite de hoje, a Holanda, importante contribuinte para os cofres europeus, insistia em um plano de 700 bilhões de euros, metade dos quais seriam concedidos. França, Alemanha, Itália e Espanha defendem que as concessões não sejam inferiores a 400 bilhões de euros. No jantar deste domingo, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, ficou sob fogo cruzado de outros líderes europeus, de acordo com observadores do encontro.

“Você pode ser um herói em seu país por alguns dias, mas após algumas semanas será considerado responsável ante todos os cidadãos da Europa por bloquear uma resposta adequada”, teria dito a Rutte o primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, de acordo com duas fontes presentes.

As negociações devem prosseguir pela noite, disseram outras autoridades. “É preciso ficar escuro” antes que um acordo seja alcançado, disse um diplomata de nível sênior. Outras questões também dividem os líderes: houve discordância quanto à redução de financiamento orçamentário a países considerados em descumprimento depadrões democráticos.

*Com informações do Estadão Conteúdo