O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou-se a responder, em entrevista veiculada neste domingo, 19, pela emissora Fox News, se aceitará o resultado das eleições de novembro no país e voltou a insistir que o voto por correspondência pode gerar fraudes no pleito. “Precisarei ver. Não vou dizer, simplesmente, que sim. Não vou dizer, assim como fiz da última vez”, disse o chefe de governo, questionado sobre uma possível derrota. O atual presidente há semanas vem questionando o voto por correspondência, que muitos estados deverão adotar devido à pandemia de Covid-19. “Creio que o voto por correio vai manipular as eleições. Realmente, acredito nisso”, disse.

O chefe de governo reconheceu não ser “um bom perdedor”, afirmou que não gosta de ser vencido e duvidou da credibilidade das pesquisas que indicam vantagem considerável do provável adversário em novembro, o democrata Joe Biden. “Você sabe quantas vezes me deram por derrotado? Não estou perdendo, porque essas pesquisas são falsas. Foram falsas em 2016, e agora são mais falsas”, disparou o presidente, sem apresentar evidências sobre que irregularidade há nas consultas populares.

A própria Fox News apontou que Biden está oito pontos na frente de Trump, enquanto outra pesquisa de intenção de voto, feita pelo jornal Washington Post e pela emissora ABC coloca o democrata com 15 pontos de vantagem. “Sabe por que não vou perder? Porque o país, no fim, não vai eleger um homem que está arruinado. Está arruinado mentalmente”, disse o atual presidente. Questionado se insinua que o vice das duas gestões de Barack Obama está senil, Trump o classificou de incompetente para ser presidente, que “nem sequer sabe que está vivo” e “não sabe juntar duas frases”. Em resposta à afirmação do chefe de governo, um dos porta-vozes da campanha de Biden, Andrew Bates, garantiu que o candidato democrata sabe que serão os americanos que decidirão o próximo presidente. “O governo dos Estados Unidos é perfeitamente capaz de expulsar da Casa Branca os intrusos”, apontou a campanha do ex-vice.

Trump ainda voltou a questionar o desempenho “excelente” desempenho de Biden no teste cognitivo a que foi submetido para detectar possíveis falhas mentais relacionadas à idade, antes de completar que se trata de um teste difícil. O entrevistador, Chris Wallace, lembrou que o próprio presidente foi submetido ao procedimento, conhecido como avaliação cognitiva de Montreal, que dura dez minutos, com pedido para os testados identifiquem nomes de animais, desenhem um relógio, entre outras atividades fáceis. “Não é que seja um teste muito difícil. Há uma imagem e te perguntam ‘o que é isso?’, ‘é um elefante’”, afirmou. Trump, por sua vez, garantiu que, apesar da simplicidade do início do exame, “as cinco últimas perguntas são difíceis”, como forma de contestar o desempenho de Biden.

*Com informações do Estadão Conteúdo