Antes de ter o primeiro carro, a assistente executiva Silvania Darezzo, que é deficiente física, subia nos ônibus da capital paulista de joelhos. Portadora de paralisia infantil, Silvania, que tem 64 anos, precisa de uma cadeira de rodas para se locomover desde os 6 anos de idade. Já na vida adulta, mesmo com todas as limitações, ela encontrou no carro um meio de conseguir trabalhar, cuidar da família e passear. Mas, atualmente, ela tem receio que os veículos adaptados desapareçam das concessionárias.

O automóvel de Silvania é do modelo PCD, específico para pessoas com deficiência. Devido à crise econômica e os custos de produção, as montadoras afirmam que não vão mais conseguir produzir os automóveis com valores até R$ 70 mil. Esse é o cenário estipulado pela Anfavea, Associação que representa os fabricantes de veículos.

A maioria das versões PCD é formada por SUVs compactos, nos quais as configurações convencionais de entrada já têm preço cheio bem acima de R$ 60 mil. Sem a oferta, restarão apenas modelos de carros menores, como hatches e sedãs, que já oferecem opções abaixo do teto. Nas duas próximas semanas, a Anfavea disse que vai intensificar conversas com governadores, secretários estaduais da Fazenda e integrantes do conselho federal para sensibiliza-los sobre a necessidade dos deficientes físicos.

*Com informações do repórter Leonardo Martins