Cientistas britânicos afirmaram nesta terça-feira, 21, em discurso na Câmara dos Comuns do Reino Unido, que a população mundial viverá com a pandemia do coronavírus durante muitos anos. Além disso, disseram considerar improvável que a vacina elimine a Covid-19 para sempre.

Durante uma audiência diante de parlamentares de diferentes partidos, o epidemiologista Jeremy Farra alertou que as consequências da doença “não vão acabar até o Natal”. O estudioso também pediu que população e o poder público não sejam complacentes durante este verão no hemisfério norte, que termina em setembro, porque o momento é crucial para evitar uma segunda onda de contágio.

“Esta infecção não vai desaparecer, ela é agora uma infecção humana endêmica. Na verdade, mesmo que tenhamos uma vacina ou tratamentos muito bons, a humanidade continuará vivendo com este vírus por muitas, muitas décadas…”, acrescentou.

O professor da Universidade de Oxford John Bell observou que é improvável que o coronavírus seja eliminado, apesar dos resultados preliminares positivos da vacina da instituição. “A realidade é que este patógeno está aqui para sempre, não vai a lugar algum”, afirmou Bell, que enfatizou que haverá invernos durante os quais o coronavírus estará de volta. “Veja quantos problemas houve para eliminar, por exemplo, a poliomielite, esse programa de erradicação está funcionando há 15 anos e eles ainda não tiveram sucesso”, completou.

Perguntado sobre a vacina, Bell disse que acha que ela não terá um efeito duradouro. “Haverá ciclos contínuos de vacinação, depois mais doença, depois mais vacinação. A ideia de que vamos eliminá-la da população simplesmente não é realista”, comentou.

Flexibilização

As declarações dos cientistas foram dadas depois que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, anunciou seus planos para aliviar as restrições impostas pela pandemia, incluindo a abertura de centros de lazer e piscinas no final deste mês, bem como a possibilidade de permitir reuniões de massa a partir de setembro.

Quem também discursou na audiência parlamentar foi o conselheiro médico do governo britânico, Chris Whitty. Ele defendeu o gabinete de acusações de atraso em sua resposta para estabelecer o confinamento em março. Embora no dia 16 daquele mês tenham sido apresentadas evidências sobre a magnitude do surto de coronavírus, as medidas restritivas do governo só foram tomadas uma semana depois.

Segundo dados da Secretaria de Estado da Saúde, as mortes por Covid-19 no Reino Unido totalizam hoje 45.422, com 110 confirmadas nas últimas 24 horas, e total de casos subiu para 295.817, depois que outros 445 foram notificados de ontem para hoje.

* Com EFE