O empresário Paulo Marinho (PSDB) negou qualquer interesse em uma vaga no Senado Federal. O pré-candidato a prefeitura do Rio de Janeiro rebateu as acusações do senador Flávio Bolsonaro, que afirmou que o interesse em ocupar o seu cargo teria motivado o empresário a denunciar possíveis vazamentos da Operação Furna da Onça, da Polícia Federal. Paulo Marinho é suplemente do filho de Jair Bolsonaro, o que daria a ele o cargo em caso de afastamento de Flávio. “Eu não vou rebater a afirmação do Flávio porque não cabe a mim, ele acha que estou movido pelo desejo de ocupar a vacância dele no Senado. Mas quem me convidou foi ele a família, eu nunca tive o interesse de me tornar senador. Aceitei apenas para a ajudar a família Bolsonaro, fiz apenas para ajudá-los e hoje me arrependo muito disso”, afirma Paulo Marinho.

Em entrevista ao Jornal da Manhã, o empresário afirmou ainda que se arrepende ter “ajudado a eleger o Bolsonaro“, pois ele considera que o governo do presidente “não tem sido bom para o Brasil”. Sobre as afirmações dos os supostos vazamentos da Operação Furna da Onça, Paulo Marinho ressaltou que “já testemunhou e depôs tanto da Polícia Federal quanto ao Ministério Público”, defendendo que agora, considerando o depoimento do senado Flávio Bolsonaro alegando informações contrárias ao empresário, caberá “às autoridades apurarem para saber quem está mentindo”. Ele diz que aceita e até mesmo já se manifestou ao MP sobre qualquer nova possibilidade de depoimento ou acareação junto ao filho do presidente.

As investigações sobre possíveis vazamentos na Polícia Federal começaram em maio, após o ex-aliado do governo afirmar, em entrevista à Folha de São Paulo, que Flávio Bolsonaro teria sido avisado previamente sobre a operação, deflagrada em 2018 para apurar desvios na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A ação trouxe à tona as movimentações atípicas na conta do ex-assessor do parlamentar Fabrício Queiroz. O senador prestou depoimento na segunda-feira (20) ao procurador Eduardo Benones, do Ministério Público Federal (MPF), em Brasília, na condição de testemunha e negou o recebimento prévio de qualquer informação sobre a operação.