O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou nesta quarta-feira, 22, em entrevista exclusiva ao programa Os Pingos nos Is, que há uma redução dos índices de queimadas na Amazônia Legal desde que o presidente Jair Bolsonaro autorizou, no dia 7 de maio, o envio de tropas das Forças Armadas para combater focos de incêndio e desmatamento ilegal. Para ele, no entanto, além do governo federal somar esforços com agências ambientais, é necessário maior engajamento dos estados. “Precisa ter a participação dos estados, das Polícias Militares estaduais, que precisam também se engajar no combate ao desmatamento”, defendeu.

Segundo ele, os altos índices de queimadas e desmates observados nos últimos meses são causados por uma série de fatores ambientais e sociais, entre eles questões climáticas e sazonais, mas também a pobreza e a ausência de investimentos públicos na Amazônia. “O desmatamento chegou a ser, em 2004 e 2005, três vezes mais do que no ano passado. Não é verdade que em 2019 tivemos um recorde. Ainda assim, consideramos que esse aumento que vem desde 2012, e que é consequência de uma ausência de políticas públicas, vem junto com a perda econômica. A correlação entre pobreza, desmatamento, falta de emprego e renda existe, é uma análise que tem sido feita em conjunto”, explicou Salles.

O ministro também citou como uma das causas a ausência da regularização fundiária, conjunto de medidas que visam à regularização de assentamentos e à titulação de seus ocupantes. Para ele, este é um problema do Brasil como um todo, mas que impacta muito na região Amazônica. “Você tem grandes territórios que estão em teoria na posse do estado, que pertencem em tese ao governo, mas muitas dessas terras já foram ocupadas por pequenos agricultores e moradores há 20, 30 anos. O governo Bolsonaro é o primeiro que está enfrentando esse tema”, afirmou Salles. A Medida Provisória 910/2019, que trata do assunto, perdeu a validade sem ser votada nos Plenários da Câmara dos Deputados e do Senado. Diante da polêmica sobre o texto, os deputados resolveram apresentar um projeto de lei em substituição à medida, o PL 2.633/20.

O ministro disse, ainda, que o Brasil tem uma das normas ambientais mais restritivas do mundo, o Código Florestal, e criticou a “seletividade” da mídia em só citar as queimadas ocorridas na Amazônia. “Há preocupações ambientais legítimas, mas há um percentual de preocupações que são uma muleta para interesses comerciais e narrativas políticas”, afirmou. Recentemente, investidores estrangeiros divulgaram uma carta ameaçando deixar o Brasil se não fossem tomadas medidas mais combativas ao desmatamento e queimadas. Depois disso, Bolsonaro decretou a suspensão, por 120 dias, da permissão de uso do fogo em práticas agropastoris e florestais na Amazônia Legal e no Pantanal.