Oficialmente, a temporada de balanços foi aberta nesta terça-feira, 21, depois do fechamento do mercado, com os resultados da Neoenergia, empresa do setor de energia, e das indústrias Romi, produtora de máquinas e ferramentas. Nesta quarta, será a vez da Weg, fabricante de equipamentos elétricos. Mas a atenção está voltada mesmo para os resultados das empresas mais importantes do Ibovespa. Vale e Santander divulgam seus resultados no dia 29. Na sequência, Ambev, Bradesco, Petrobras (todas dia 30), Itaú (3/8), Gerdau (5/8) e Banco do Brasil (6/8). As expectativas em torno dos resultados demonstram o momento peculiar que o mercado financeiro vive. Os números devem revelar um dos piores trimestres da história para a maior parte das empresas. O período entre abril e junho concentrou, afinal, os piores efeitos da Covid-19 sobre a economia devido às medidas de isolamento. Os investidores também dão o ano como perdido. Bancos, por exemplo, abriram mão de projetar os resultados do ano devido às incertezas. Mas, se números ruins são esperados, a atenção de analistas e investidores está nas surpresas positivas que os balanços vão trazer.

Via Varejo, dona das Casas Bahia e do Ponto Frio, por exemplo, divulgou por engano, na segunda, que as vendas online de produtos como câmeras e vídeo games saltaram 2.507% no trimestre. O crescimento vertiginoso se estendeu a televisores (+1.899%), produtos de informática (1.453%) e equipamentos de som (1.518%). Um desempenho que não será surpresa se for repetido pelos outros dois gigantes do varejo com ações na B3: Magazine Luiza e B2W, dona do Submarino e do Shoptime. Outro desempenho no trimestre que será bastante analisado será o dos bancos. No primeiro trimestre, Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander reservaram quase R$ 24 bilhões para cobrir o aumento de calotes nas dívidas entre os devedores. A expectativa agora é saber se o valor foi suficiente ou se serão feitas novas provisões.

E por que tudo isso importa? Pelas indicações sobre a economia como um todo que os balanços trazem. Nos Estados Unidos, por exemplo, o aumento das provisões dos grandes bancos, divulgado na semana passada, indica que a economia americana não vai se recuperar tão rápido quanto as Bolsas projetam. Mais calote nos bancos significa mais dificuldades dos devedores, que perderam emprego ou renda. Ou seja, que a economia está com problemas. Falta saber aqui. Vamos ficar na torcida de que o bom momento do varejo tenha se espalhado para outros setores. E que a temporada de balanços indique um segundo semestre mais positivo.

*Samy Dana é economista e colunista na Jovem Pan.