David Uip, infectologista e ex-coordenador do comitê de combate à pandemia em São Paulo, agora integra comitê que presta consultoria ao Tribunal Superior Eleitoral, a fim de minimizar os riscos de contágio da Covid-19 durante as eleições de 2020, que acontecerão, no primeiro turno, em 15 de novembro após adiamento do pleito. Em entrevista ao Jornal da Manhã, Uip explicou como vem sendo o processo e mostrou otimismo: “Eu e outros infectologistas e epidemiologistas fomos convocados por Luis Roberto Barroso, presidente do TSE, para opinarmos sobre as eleições de 2020. Nossa proposta foi pelo adiamento, o ministro resolveu convocar instituições para prestar consultoria. Foram convocados Hospital das membros do Hospital Sírio Libanês, Albert Einstein e a Fiocruz, do RJ. Estamos tendo reuniões para ajudar a fazer a eleição mais segura possível.”

“Você entra nos detalhes que à distância não consegue fazer, vamos fazer protocolos para não só o eleitor, mas os mesários, as pessoas dos tribunais eleitorais, da polícia militar, são diversos cenários. Suspendemos o dedo digital, mas tem a urna. Por que? Não é só o ato de votar, é o tempo, o tempo necessário para a certificação digital é de 3 a 4 vezes do que o habitual, o que faz diferença nas aglomerações”, exemplificou Uip, que disse ser “entusiasmante poder contribuir como um momento histórico e inusitado.”

Segundo o médico, o grupo trabalha, sob a orientação de Barroso, para fazer “a eleição mais segura possível com o menor número de abstenções possível, para validar processo democrático, é uma missão para deixar o povo seguro na votação.”

Questionado sobre o avanço das pesquisas sobre possível vacinas contra a infecção causada pelo novo coronavírus, Uip fez sua análise: “A primeira vacina não quer dizer que vai ser a melhor. O que se pretende é que ela proteja o indivíduo, seja segura e que a proteção seja a mais duradoura possível, isto é o ideal. Agora, pela emergência sanitária, digamos que se encontre uma que perdure por um ano: isso já será bom demais.”