A pandemia de coronavírus revigorou o movimento separatista da Escócia e acendeu o sinal de alerta no governo britânico. O primeiro-ministro Boris Johnson decidiu viajar para o norte nesta quinta-feira (23), às vésperas do aniversário de um ano do gabinete dele. Os jornais da capital britânica afirmam que os conservadores estão preocupados com o aumento do apoio ao separatismo escocês.

Johnson pretende reforçar a mensagem de que, na verdade, a pandemia mostrou que juntos os quatro países do Reino Unido demonstraram grande poder de reação. Seja na compra de insumos e equipamentos indispensáveis para os profissionais de saúde ou nas ações de governo para proteger renda e emprego. Mas a verdade é que os escoceses não vêem as coisas desta forma.

A primeira-ministra local, Nicola Sturgeon, tem adotado medidas que a distanciam de Londres constantemente. A Escócia teve regras de quarentena diferentes da Inglaterra, a reabertura está sendo mais cautelosa e até o uso obrigatório de máscaras por lá começou antes. As pesquisas de opinião apontam que 82% dos escoceses aprovam a atuação da primeira-ministra durante a pandemia. Jonhson, por sua vez, não é uma pessoa bem-quista em território escocês — para dizer o mínimo. Historicamente o país já é refratário a políticos conservadores. Boris Johnson ainda carrega para si a pecha de pai do Brexit. A Escócia votou em massa pela permanência na União Europeia, mas acabou derrotada pelos votos da Inglaterra e do País de Gales.

Com a separação perto de ser consumada e as críticas ao governo de Boris Johnson, o movimento separatista escocês ganha novo fôlego. Pesquisas de opinião divulgadas no último final de semana apontam que a maioria da população escocesa hoje é a favor da independência. Em 2014 o país realizou um referendo sobre o assunto e decidiu permanecer no Reino Unido. A pressão popular para uma nova votação tem crescido sob o comando de Sturgeon — mas ainda parece pouco provável de ser realizada, porque para que o referendo tenha legitimidade jurídica é preciso a anuência do governo de Londres — o que não deve acontecer.