O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues, acredita que falta vontade política da mesa diretora da Câmara para votar a PEC do fim do foro privilegiado — da qual ele é autor. A Proposta de Emenda à Constituição está estacionada há mais de 500 dias no Congresso, após ser aprovada pelo Senado. Nesse meio tempo, o Supremo Tribunal Federal fez modulações nos efeitos do benefício, fazendo-o valer apenas durante o mandato do cargo ou caso o inquérito tenha ainda a ver com o mandato.

“O presidente da Casa Rodrigo Maia e os líderes na Câmara deviam responder o motivo dessa demora”, avalia Randolfe. Em entrevista ao Jornal da Manhã, o senador explicou a crítica ao foro privilegiado. O mesmo foi pedido ao STF pela defesa do atual senador José Serra no inquérito que investiga suposto caixa 2 na campanha de 2014. “Eu acho que, primeiro, teria que ter vontade política da mesa diretora. Se a PEC não tramita, não tem como ela ser apreciada. Não vou isentar ninguém da culpa, porque se a maioria dos líderes já tivessem pautado já estaria em apreciação.”

Randolfe Rodrigues também fez crítica à decisões seletivas. “O que estou falando não é um consenso entre os senadores, mas eu sou da máxima que a decisão judicial é para ser cumprida sempre. Não pode valer para pessoas distintas pesos e medidas diferentes. Assim como o que está escrito na Constituição não cabe interpretação. Defendo o STF e suas prerrogativas, mas o Supremo tem que se ater ao que está na Constituição”, avalia o líder da Rede na Câmara.

Rodrigues finalizou dizendo que a oposição do governo Bolsonaro é muito mais do que a esquerda. “Tem centro, centro-direita, esquerda e centro-esquerda. É preciso uma unidade da atuação. Existe muita vaidade em curso, além do distanciamento e falta de diálogo direto com o povo. Pautas como segurança pública e combate à corrupção não são laterais. Quando conseguirmos superar essa falta de unidade e narrativa, teremos maturidade para oposição.”