O Ministério Público Federal do Espírito Santo e o Ministério Público do Estado apuram o vazamento de dados sigilosos da menina de 10 anos que ficou grávida após ser estuprada pelo próprio tio. Os órgãos também questionam o motivo do Hospital Universitário Cassiano Antônio de Moraes, em Vitória, ter se recusado a realizar o aborto e se houve constrangimento, ameaça ou qualquer tipo de pressão a médicos para que o procedimento não ocorresse. Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, 17, a direção do centro medico esclareceu que a decisão foi “estritamente técnica” e anunciou que vai abrir sindicância para investigar se houve vazamento do prontuário da criança.

O MP do Estado ainda vai analisar áudios e conversas de pessoas que estariam pressionando familiares da menina para continuar com a gravidez. No domingo, a menina foi encaminhada ao Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, no Recife, onde concluiu o aborto na manhã desta segunda-feira. Em entrevista à Jovem Pan, o diretor clínico do hospital, Olímpio Barbosa de Morais Filho, relatou que a menina foi chamado de assassina por manifestantes. Fizeram coral chamando a menina de assassina. Para nossa sorte, a criança não ouviu. Mais assustador ainda eram políticos, deputados que estavam ali”, contou Olímpio.

A paciente está estável e evoluiu bem. O médico clínico geral Roberto Debski, ressalta que crianças que sofrem abusos podem desenvolver traumas e distúrbios psicológicos como ansiedade e depressão. Em entrevista ao programa Os Pingos Nos Is, a deputada Chris Tonietto disse que a Frente Parlamentar Mista Contra o Aborto e Pela Vida vai apurar como o procedimento foi realizado. O tio da menina está foragido. A Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos encaminhou ofício à Polícia Federal e à Polícia Rodoviária Federal para que auxiliem na localização do criminoso.

*Com informações da repórter Nanny Cox