País avança em investimentos e uso de IA, mas especialistas apontam que compliance e transparência deixaram de ser opcionais para empresas do setor.
O ano de 2026 tem sido marcado por um movimento de maturidade na forma como empresas, governos e usuários brasileiros lidam com a inteligência artificial. Depois de um período inicial de entusiasmo generalizado com ferramentas generativas, o debate técnico e regulatório passou a ocupar espaço cada vez maior nas discussões sobre o setor, tanto no Brasil quanto no cenário internacional.
Regulação e privacidade ganham peso nas discussões sobre IA generativa
Um dos temas centrais do ano tem sido a relação entre inovação e proteção de dados. O avanço da inteligência artificial generativa em julho de 2026 segue como um dos principais focos de inovação tanto no Brasil quanto no restante do mundo, com startups brasileiras à frente de iniciativas que vão da criação de conteúdo à automação de processos empresariais. Esse crescimento, porém, tem vindo acompanhado de preocupações crescentes sobre o uso das informações dos usuários. Brasil e União Europeia têm trabalhado em regulamentações mais rigorosas para proteger os usuários contra o uso indevido de seus dados diante da expansão dessas tecnologias. BRA 1
No campo interno das empresas, a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados também tem se tornado prioridade para quem trabalha com ferramentas de IA no dia a dia corporativo, reforçando que a conformidade regulatória passou a fazer parte do planejamento estratégico das companhias, e não apenas de departamentos jurídicos isolados.
Agentes autônomos se tornam a nova fronteira tecnológica
Entre as tendências mais discutidas para os próximos meses está a evolução dos assistentes digitais para modelos mais independentes. Uma das principais tendências de inteligência artificial para 2026 é justamente a evolução desses assistentes para agentes autônomos, capazes de executar tarefas completas com menos intervenção humana direta. Essa mudança altera também o tipo de qualificação exigida de quem deseja atuar na área. O pré-requisito para trabalhar com inteligência artificial deixou de significar apenas saber programar, passando a envolver competências ligadas à interpretação crítica dos resultados gerados pelos modelos.
O conceito de soberania de IA também ganhou força no vocabulário corporativo brasileiro ao longo deste ano. Em 2026, transparência nos modelos, conformidade com regulações e mitigação de vieses deixaram de ser apenas itens de compliance e passaram a ser condições para que empresas consigam escalar suas operações de inteligência artificial. Esse debate se conecta diretamente às políticas públicas voltadas ao setor no país. Prepara
Investimento público e privado sustenta o crescimento do setor
O governo brasileiro tem apostado em planejamento de longo prazo para o desenvolvimento da área. Projeções de mercado apontam que o setor global de inteligência artificial deve superar os 900 bilhões de dólares ainda em 2026, enquanto a UNCTAD, órgão da ONU, estima que a IA deve movimentar 4,8 trilhões de dólares até 2033, e no Brasil o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial prevê 23 bilhões de reais em investimentos até 2028. Esses números reforçam a percepção de que a tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo para se tornar parte da infraestrutura básica de operação das empresas.
O uso da ferramenta entre a população brasileira também segue em expansão. O Brasil é o terceiro país que mais utiliza o ChatGPT no mundo, atrás apenas de Estados Unidos e Índia, segundo relatório divulgado pela OpenAI, e uma pesquisa do Observatório Fundação Itaú em parceria com o Datafolha indicou que 75% da população já percebe a inteligência artificial como parte da rotina. Esse cenário sugere que o desafio dos próximos meses não será mais convencer empresas e usuários sobre a utilidade da tecnologia, mas sim garantir que seu uso ocorra de forma responsável, transparente e alinhada às regras que começam a se consolidar tanto no Brasil quanto no exterior. Jornal do Comércio
Fontes: BRA1 | ScanSource | Prepara IA | Jornal do Comércio