Segundo Tiago Schietti, a sustentabilidade passou a ocupar espaço central em diversos setores da economia, e o setor funerário não está fora dessa transformação. Ainda que envolva práticas tradicionais, simbolismos culturais e limitações técnicas, cresce a pressão social e ambiental para que os serviços funerários repensem seus processos, materiais e impactos.
Tratar a sustentabilidade no setor funerário exige equilíbrio. Não se trata de aderir a modismos ou discursos vazios, mas de reconhecer limites técnicos, respeitar valores culturais e, ao mesmo tempo, buscar soluções que reduzam impactos ambientais e ampliem a responsabilidade social do setor. Nesta leitura, discutiremos como esse equilíbrio pode ser alcançado na prática.
O que significa sustentabilidade aplicada aos serviços funerários?
No contexto funerário, sustentabilidade envolve um conjunto de práticas que buscam minimizar impactos ambientais, otimizar recursos e respeitar o entorno social e urbano. Isso inclui desde a gestão de resíduos e o uso de materiais até o planejamento de cemitérios e a eficiência energética das instalações.
Diferentemente de outros segmentos, o setor funerário opera sob forte carga emocional e simbólica, o que exige cuidado redobrado na comunicação e na implementação de mudanças. Na análise de Tiago Schietti, qualquer iniciativa sustentável precisa ser compreendida pelas famílias como um avanço consciente, e não como perda de dignidade ou respeito.
Por isso, sustentabilidade no setor funerário não pode ser tratada de forma genérica. Ela precisa dialogar com aspectos técnicos, culturais, legais e sociais, respeitando as especificidades de cada comunidade.

Limites técnicos e culturais da sustentabilidade funerária
Existem limites reais para a aplicação de práticas sustentáveis no setor funerário. Normas sanitárias rigorosas, legislações ambientais, exigências urbanísticas e tradições culturais influenciam diretamente as possibilidades de mudança.
Em muitos casos, práticas consideradas ambientalmente ideais em teoria não são viáveis na prática, seja por restrições legais, seja pela falta de aceitação social. A gestão sustentável precisa reconhecer esses limites e buscar avanços progressivos, evitando soluções que comprometam a segurança sanitária ou a confiança das famílias.
Além disso, o custo de implementação de algumas tecnologias sustentáveis ainda é elevado, o que pode dificultar sua adoção em larga escala, especialmente em municípios menores ou em serviços públicos funerários.
Práticas sustentáveis que já fazem parte da realidade
Apesar dos desafios, diversas práticas sustentáveis já estão sendo incorporadas ao setor funerário de forma gradual e consistente, como evidencia Tiago Schietti. Muitas delas estão mais relacionadas à gestão do que à ruptura de modelos tradicionais.
Entre essas práticas, destacam-se a racionalização do uso de água e energia, a correta destinação de resíduos, o uso de materiais mais duráveis e a melhoria da eficiência logística. Em cemitérios, iniciativas como planejamento paisagístico, manejo adequado do solo e preservação de áreas verdes também contribuem para reduzir impactos ambientais.
Essas ações mostram que sustentabilidade no setor funerário não depende apenas de grandes inovações, mas também de decisões cotidianas bem orientadas. A sustentabilidade, nesse sentido, passa a ser um compromisso com o equilíbrio entre pessoas, processos e impacto social.
Caminhos possíveis para avançar em sustentabilidade
Algumas direções se mostram viáveis para o avanço da sustentabilidade no setor funerário:
- Melhoria contínua na gestão de resíduos e insumos;
- Uso mais eficiente de água e energia nas instalações;
- Planejamento urbano integrado à gestão cemiterial;
- Transparência na comunicação sobre práticas sustentáveis;
- Capacitação de equipes para atuação responsável;
- Diálogo com a comunidade sobre mudanças e limites.
Esses caminhos reforçam que a sustentabilidade no setor funerário é um processo gradual, construído com responsabilidade e diálogo, como frisa Tiago Schietti.
Sustentabilidade como processo, não como promessa
Em conclusão, falar em sustentabilidade no setor funerário exige honestidade. Não existem soluções simples ou universais, mas há espaço para evolução consciente. O avanço sustentável acontece quando o setor reconhece seus limites, respeita valores culturais e busca melhorias reais, mesmo que progressivas.
De acordo com Tiago Schietti, ao adotar uma postura responsável e transparente, o setor funerário contribui não apenas para a redução de impactos ambientais, mas também para uma relação mais madura da sociedade com a morte, o território e o cuidado coletivo. Sustentabilidade, nesse contexto, deixa de ser promessa e passa a ser processo.
Autor: Valentin Zvonarev